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Como funciona o cibercrime brasileiro



Um doce para quem adivinhar quem é Raul. Não, não é o Raul Seixas. Também não é o Raul Gil. Não é ninguém exatamente famoso, embora alguns tentem. São vários deles, talvez milhares. E querem roubar o seu dinheiro.

“Raul” é uma espécie de apelido utilizado entre os cibercriminosos brasileiros envolvidos no roubo de informações bancárias através de malwares do tipo cavalo-de-troia e na clonagem de cartões de crédito. E, pasmem, o termo surgiu em um rap feito para exaltar a “profissão”:

"Trombá quem trombá, dialogar e calcular a hora certa e o tempo certo nem de função nós falou, já vou chegar da favela pra mansão no clima é a ilusão, no artigo eu sou função, na confiança é só os irmãos da leste, oeste, norte e sul.... sou da profissão Raul.

Ùnion, CEF, Itaú, Real, Banrisul, nespa, BB, hs, brb, rural, bnc e também bnp, Bradesco e Credicard, o melhor é Nossa Caixa."

Fotos: Arquivo da Polícia Federal
A cara-de-pau é tanta que a música foi colocada no Youtube. Aos curiosos de plantão: infelizmente, já foi retirada do ar. Mas não fiquem tristes. Há muitas outras por lá, fazendo apologia a diversos crimes parecidos.

 

 
Como isso é possível? Graças à impunidade. No Brasil, não há leis específicas para os crimes de Internet. Explicamos um pouco sobre isso no nosso especial sobre segurança digital durante a Copa do Mundo: o crime passa a existir só quando uma pessoa mal-intencionada usa os dados que obteve pela Internet, com meios ilícitos, na vida offline. Ou seja, criar um malware, distribuí-lo ou aplicar phishing não tem punição prevista na legislação do país.

Para continuar multiplicando dinheiro e enaltecendo suas façanhas publicamente na web sem ser pego pela polícia, obviamente foi preciso desenvolver um bocado de artimanhas. E isso deu origem a um perfil de cibercriminoso tipicamente brasileiro. Isso foi esmiuçado durante a conferência ibero-americana da Kaspersky, realizada em Cancun, no México, entre os dias 25 e 27 de agosto. Nossa equipe esteve lá e conta para você, nas próximas páginas, como está configurado o cenário do cibercrime no Brasil e nos demais países latinos.

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